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Mostrando postagens de Junho, 2013

100 cortes!

Não gosto de nada que corte. Essas coisas cortantes me machucam antes mesmo de me atingir. Não gosto de facas grandes, fico olhando com a sensação de que elas vão se levantar sozinhas e cortar minhas mãos me impedindo o toque, cortar meus pés roubando o pouco equilíbrio que tenho. Chegar e arrancar minha língua pra que eu pare de picotar as palavras, tirar de mim o coração já tão fragmentado que possuo.

“Facas” não são justas, elas interrompem. Interrompem a pele/papel/plástico/pano/palavras em seu percurso ao outro lado. Interrompem as ideias que esforçadamente eu tento organizar em minha mente. Interrompem minha respiração só de estarem ali, tão perto. Interrompem os passos que programei as conversas que ensaiei os abraços que eu guardei... Elas cortam e sempre parece que fica a parte menos importante, a menos interessante, aquela que eu não consigo lidar, fica aquele pedaço aberto que eu nunca posso remediar, eu só escondo.

E no fundo, eu acredito que talvez o meu pânico por coi…

A DOR NOS OLHOS MEUS.

Meus olhos reclamam. Eles reclamam da falta de descanso, da falta de sono. Reclamam do excesso de uso, do excesso de livros, do excesso daquilo que vejo e não posso alcançar. Prezo muito meus olhos, minha visão. Admiro a beleza das cores, a beleza das construções, a beleza dos rostos, a beleza dos traços, das palavras, das imagens na tela.

Mas, confidencio, eu trocaria minha visão pelo tato, mãos desenhando estradas no meio do meu nada. Eu trocaria minha visão pela audição, sussurros nos meus ouvidos que não firam o meu coração. Trocaria pelo olfato, o cheiro doce de saudade matada, de presença esperada que enfim chegou. E, finalmente, eu trocaria minha visão pelo paladar, o gosto de plenitude encostando nos meus lábios, o sabor dominador que enche minha boca de água. Eu fecho os olhos para as melhores sensações.

Então eu peço, olhos meus não reclamem tanto, por favor. Meus excessos veem por eu não me utilizar dos outros sentidos devidamente. Portanto, perdoem a água na minha boca se…

Fendas ocultas

Eu vejo nas entrelinhas do seu abraço
O seu desejo de estar mais perto
Das entrelinhas dos meus traços
E enquanto eu lhe descrevo em poesias
Que adormecem na ponta da minha língua
Digo que estou encantada por outras linhas
E no silêncio daquilo que eu pronuncio
Eu te refugio em cada verso que disponho
Guardando um pedaço meu em prelúdio
Na desesperança que espera um gesto
Na confiança que mantenho oculta
Nos meus olhos cansados, mas pra você, sempre abertos...