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Mostrando postagens de Setembro, 2013

Canto meu.

Enquanto a chuva não vem eu deixo meu corpo descansar no chão frio, permitindo que o vazio absorva um pouco do calor de minhas mãos e gradativamente esfrie o centro dos meus problemas, o centro do que sou. Pergunto-me como o mesmo material pode aderir tantas finalidades diferentes, pode ser atingido de variadas formas que não deveriam danificar em nada a função que possui, mas danificam, danificam todo um sistema, comprometem as engrenagens, a lucidez, a concentração...
Chegue mais perto enquanto encaro o teto como mil telões de um mundo que só pertence a mim. Não fale nada enquanto minha cabeça canta uma melodia própria que eu adoraria poder reproduzir para que fosse ouvida por você também, mas minhas habilidades são limitadas, meus membros desajustados não respondem prontamente meus comandos...
Eu tento mesmo assim, canto pra você, o canto que eu fiz só pra mim...

Sob a respiração...

Indistintamente Há mais estrelas essa noite do que nas anteriores Faíscam segredos e eu escuto de perto a minha canção de ninar Deixo guardado o que um dia eu quis
Inevitavelmente e previsível, desencantei Protegi em mim Irreparável, não mais tentando buscar o que passou, é fim!
Olhos abertos, eu vou esperar o sol chegar Despeço-me das estrelas, cúmplices de um tecido segredo Beijo a noite com meus braços abertos Asas prontas, é uma renovada constelação, de dia...
Novamente, eu estarei aqui na noite seguinte Dividindo a leveza (e também o peso) que trago Singela e doce, a leveza intensa que deveria pesar Mas se fez chuva, eu já posso sentir...
Não mais inalcançável, não mais dolorido Apenas melancólico...
Aproveito (não mais suporto) o dia enquanto a noite não vem Deliberada, haverá sempre um lugar seguro, sim! Distraída, aquém dos meus esconderijos sempre presente...
Não há solução, apenas atalhos e superficiais remediações...