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Mostrando postagens de 2014

"Eu já morri!"

Pensando sobre começos e fins, me lembrei de uma certa fala em um filme que eu gosto um bocado. No inicio do filme em questão, Elektra (personagem que dá nome ao filme), prestes a matar um homem diz a ele que "a morte não é tão ruim", o moço por sua vez questiona "como você sabe?" e ela responde prontamente "EU JÁ MORRI!". Eu sei muito bem que a personagem quis dizer morte literal, mas ao longo do tempo, eu fui percebendo que há mais de um tipo de morte, e percebendo isso, descobri que eu já morri também. 

Sim, eu acredito que alguém pode morrer estando vivo, acho possível morrer varias vezes estando vivo, eu já perdi a conta de quantas vezes foram. Eu sei que você também já sentiu, aquele sentimento de fim, de não saber o que fazer com os pedaços do que sobrou, o sentimento de que não sobrou nada pra juntar, de ter um enorme zero como ponto de partida pra recomeçar e talvez acreditar piamente que é impossível recomeçar, não importa o quanto as pessoas ao …

Selado!!

6 AM, ruas vazias, pessoas se desencontrando, mal humor. Atrasados, pessoas saindo mais cedo, pessoas andando pelas ruas no automático. E de repente vê um casal dando um selinho demorado, carinhoso, mão no rosto, vira o rosto.
12 AM, ruas lotadas, pessoas correndo pro almoço, correndo pro trabalho, correndo, suadas, mal humoradas. E lá está, no meio de todo alvoroço, um casal dando o tal selinho com todo carinho, nem aí pra pressa de ninguém, apenas ali pro gosto. Desconhecidos encaram, que desgosto.

E eu percebo as 5 PM que o carinho alheio incomoda, que a felicidade dói nos outros, que ver selo de “amor” não caí bem em estômagos vazios. Olhar frente a frente às declarações escondidas em um pequeno ato de encostar uma boca na outra, singelo jeito de dizer “eu senti saudade o tempo que minha boca ficou distante”, “está cheio aqui, mas eu preciso encosta minha boca na sua”, “não temos tempo pra demoras, mas eu sempre terei um segundo pra isso”. Quanta coisa um selo diz, diz donde vem, …

Eu não uso óculos...

Nunca gostei de óculos, sempre me incomodou, um acessório que apesar do muitos me dizerem necessário para melhorar minha vista, eu nunca vi (pra mim) tanto beneficio assim. Simplesmente não gosto, não me caí bem, não encaixa em mim.
Vez por outra me dizem que estou ficando meio cega, que se usar meus óculos eu vou enxergar as cores mais vivas, eu quase ponho a mão nos ouvidos e grito quando escuto tal disparate, meus olhos, enxergando cores mais vivas? Seria o inferno definitivamente. Eu já acho o amarelo solar, o laranja dourado e verde limão/neon doloridos o suficiente, seria muita tortura aumentar a intensidade de qualquer uma dessas cores ou qualquer outra.
Desculpe-me vocês que gostam de cores vivas e imagens claras, mas eu prefiro dias mais cinzas, cores mais frias, imagens um pouco apagadas e talvez levemente embaçadas, por que dói a contemplação do óbvio que todo mundo insiste em esfregar na minha cara já tão esfolada, não preciso ver as coisas com mais nitidez do que eu já v…

"Tenho um por que, (por favor), desligue a luz!"

Eu nunca soube usar os porquês, nunca soube colocá-los corretamente nas frases, nunca soube explicar a razão por trás deles nas minhas praticas tão pouco. Sempre tive que recorrer a uma gramática pra saber onde colocar cada qual em seu devido lugar, sempre tive que recorrer a minha (não tão confiável) emoção para explicar tais causas e questões e ainda assim, constantemente eu coloco o porquê errado diante das minhas causas.
Entenda que talvez eu não saiba explicar com coerência que a minha raiva é o limite divisor do quanto eu me importo, por que o meu não importar é ignorar, o meu não importar é manter meu telefone desligado é nem cogitar erguer a minha voz, é não precisar morder os meus lábios para me conter, meu não importar é cara de paisagem. Se eu me dou ao trabalho de fazer esse ato que eu detesto, que é ter que erguer a minha voz em frustração, parabéns, você conseguiu captar minha atenção, mas por mais que toda essa comoção signifique a minha inclinação, não abuse dos meus …

Amortecedor (amor-tece-dor)

Você me pede uma chance como se pedisse para eu te passar a manteiga na mesa de café da manhã, me pede uma chance como se me pedisse pra ir ao mercado no domingo, como quem pede um favor trivial qualquer meramente por tédio ou incontentamento, mas no fundo eu sei que você coloca toda sua esperança ao me pedir. Você me propõe que eu fique um pouco mais quando eu já decidi ir embora, quando eu já fiz minhas malas, quando eu já encontrei outro caminho diferente do que você quis traçar pra mim. Você me cede um lugar e abre mão uns poucos passos, retrocede um pensamento, ameaça a minha solidão, me torna vilã da sua história e requere que eu amenize um pouco a dor que eu causei e as que eu não causei também.

E eu te dou, eu te dou uma chance como quem faz uma promessa, como quem acredita em papai noel, como quem sonha com o coelhinho da páscoa. Eu te dou uma chance como quem aceita assinar um contrato em branco sabendo das grandes chances dos termos serem violados. Eu te dou uma chance em …

SILÊNCIO!!!

E todas essas vozes que não suporto mais ouvir.

Não fale!

Choveu tanto e fez tanto frio, mas de algum modo eu continuo febril.

Todos esses corredores cheios de vazio me levam sempre pro mesmo lugar.

Sozinha.

Todas as pessoas medíocres das quais eu também faço parte.

No escuro.

Eu tenho meus motivos pra tudo que faço, mas nem sempre sei explicar.

Eu expiro.

E todo o veneno nessas línguas estranhas que são tão conhecidas não me ferem mais.

Não fale!

Todas as vezes que eu relevei agora me afogam.

E todo o silêncio que eu não fiz chama por mim.

Eu vou.

E todo o vazio do qual tive medo me enterra.

E a vida que eu não vive escorre por entre os meus dedos.

Por que distância é um caminho entre a furia e a paz.

Minhas mãos, outra vez vazias, ainda possuem significado.

Embora

Todas essas pessoas que tem fé e acreditam, eu não consigo acreditar.

Dizem que para cada coisa ruim há algo bom, mas eu já não sei esperar...

Contra o verso, controverso.

Pensando bem,
meu problema com você
é meramente semântico e de postura,
a sua linguística
não combina com a minha literatura.

E para ser sincera sobre isso,
eu terei que confessar,
você foi a minha melhor justaposição,
em contra partida você também é
a mais profunda incoesão...


"Quem não chora não mama"

7 anos de idade, eu me lembro que estava sentada na área da casa de uma tia enrolada num cobertor, fazia frio, mas eu insistia em ficar do lado de fora olhando os filhotinhos recém nascidos da cachorra no quintal. A mãe dos cachorros estava distraída comendo sua ração quando os filhotinhos começaram o berreiro, ela largou a comida dela e foi alimentá-los, um deles estava no cantinho do pano longe dos irmãos, a cachorra se deitou entre os que estavam chorando e os alimentou deixando o que estava mais longe lá olhando de "olho comprido" e voltou para sua ração. Perguntei para minha tia por que a cachorra não foi até o que estava quietinho, ele parecia com fome também, ela me olhou com ar de reprovação e me respondeu com uma das frases que mais marcaram a minha infância, curta e grossa, "minha filha, quem não chora não mama", simples assim. Quando minha tia se virou e foi para dentro peguei o filhotinho que não tinha chorado e levei ele para cachorra dar de mamar qua…

Olhos antigos

As coisas mudam as coisas realmente mudam, e mudam as pessoas junto com elas. Mudou a perspectiva com que meus olhos percebiam os rostos, coloquei uns óculos e os detalhes ficaram bem nítidos. As circunstâncias me obrigaram  a "abrir" mais os olhos, "apurar" minha visão, vi todas as rachaduras da parede, a precariedade dos moveis, a necessidade incontestável de reformas, de ajustes e de jogar fora. Tanto espaço usado de forma inútil, tanta coisa inútil ocupando espaço precioso.
Mas retrocedendo, é mesmo inútil? Inútil não é uma palavra invariável, na verdade ela varia muito e em muitos casos é aplicada errada porque precisa de complemento, eu preciso perguntar: É inútil pra quem? Será que é inútil pra mim mesma ou para os outros? A necessidade de mudança é minha mesmo ou é o incomodo que venho causando nos outros que me incomoda? Perder-me na linha tênue entre o que é realmente meu e o que me foi imposto ou forçado repetitivamente goela a baixo é muito fácil.
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Prelúdio

Nuvens incertas nublam meu céu Ofuscando o brilho de um sol que se fez minha razão Mas não apagam a certeza de que ali permanece Aquecendo-me ininterruptamente E as gotas de chuva que caem em mim Trazem a superfície o sentimento que mora aqui dentro Meu sentimento é um poema que jamais será escrito Por não caber de tão imenso Desprovido de significado É um verbo em construção...


Se eu morresse hoje

Se eu morresse hoje certamente eu não iria embora, nem para o céu que tantos sonham, nem para o tão temido inferno que juram existir.
Se eu morresse hoje eu ficaria vagando em torno da vida, mais um fantasma entre os vivos com todas as minhas questões pela metade, meus arrependimentos e as minhas promessas não cumpridas.
Se eu morresse hoje voltaria àquele lugar bonito que eu nunca vou por conta das lembranças, eu dançaria a noite toda sem cansaço, sorriria para os estranhos e não faria nada além do que profundamente fosse desejado.
Se eu morresse hoje eu não beberia, passaria a noite sóbria para ver melhor os detalhes, me pouparia desses subterfúgios que já chamei de felicidade e aceitaria meu estado natural, sem mais.
Se eu morresse hoje eu contaria meus segredos, abriria a boca e diria tudo, eu não me importaria com julgamentos mundanos, eu não me importaria com julgamento nenhum, eu finalmente não me importaria com nada.
Se eu morresse hoje eu criticaria abertamente aquele compo…