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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

Olhos antigos

As coisas mudam as coisas realmente mudam, e mudam as pessoas junto com elas. Mudou a perspectiva com que meus olhos percebiam os rostos, coloquei uns óculos e os detalhes ficaram bem nítidos. As circunstâncias me obrigaram  a "abrir" mais os olhos, "apurar" minha visão, vi todas as rachaduras da parede, a precariedade dos moveis, a necessidade incontestável de reformas, de ajustes e de jogar fora. Tanto espaço usado de forma inútil, tanta coisa inútil ocupando espaço precioso.
Mas retrocedendo, é mesmo inútil? Inútil não é uma palavra invariável, na verdade ela varia muito e em muitos casos é aplicada errada porque precisa de complemento, eu preciso perguntar: É inútil pra quem? Será que é inútil pra mim mesma ou para os outros? A necessidade de mudança é minha mesmo ou é o incomodo que venho causando nos outros que me incomoda? Perder-me na linha tênue entre o que é realmente meu e o que me foi imposto ou forçado repetitivamente goela a baixo é muito fácil.
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Prelúdio

Nuvens incertas nublam meu céu Ofuscando o brilho de um sol que se fez minha razão Mas não apagam a certeza de que ali permanece Aquecendo-me ininterruptamente E as gotas de chuva que caem em mim Trazem a superfície o sentimento que mora aqui dentro Meu sentimento é um poema que jamais será escrito Por não caber de tão imenso Desprovido de significado É um verbo em construção...


Se eu morresse hoje

Se eu morresse hoje certamente eu não iria embora, nem para o céu que tantos sonham, nem para o tão temido inferno que juram existir.
Se eu morresse hoje eu ficaria vagando em torno da vida, mais um fantasma entre os vivos com todas as minhas questões pela metade, meus arrependimentos e as minhas promessas não cumpridas.
Se eu morresse hoje voltaria àquele lugar bonito que eu nunca vou por conta das lembranças, eu dançaria a noite toda sem cansaço, sorriria para os estranhos e não faria nada além do que profundamente fosse desejado.
Se eu morresse hoje eu não beberia, passaria a noite sóbria para ver melhor os detalhes, me pouparia desses subterfúgios que já chamei de felicidade e aceitaria meu estado natural, sem mais.
Se eu morresse hoje eu contaria meus segredos, abriria a boca e diria tudo, eu não me importaria com julgamentos mundanos, eu não me importaria com julgamento nenhum, eu finalmente não me importaria com nada.
Se eu morresse hoje eu criticaria abertamente aquele compo…