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PRIMEIRA VEZ (DE NOVO)

Eu queria ler o meu livro favorito pela primeira vez uma outra vez. Eu queria a sensação de experimentar minha comida favorita pela primeira vez, a constatação de "eu comeria só isso pelo resto da vida". 
Queria voltar na minha primeira viagem longa e sentir a liberdade da estrada entrando pelas minhas veias, queria ter aproveitado melhor esse momento. 
Eu queria ouvir minhas músicas favoritas pela primeiríssima vez e sentir que a música entra pelo meu coração e não pelos ouvidos como parece ser a lógica.
Queria hoje, mais que todos os outros dias aquele abraço pela primeira vez de novo, a sensação de abrigo. A sutileza do toque. A ausência de intenções. 
Eu amaria reviver aquele primeiro passeio a cavalo, a agitação das borboletas no estômago, a despreocupação em sorrir com coisas simples. 
E principalmente, eu daria qualquer coisa pela inocência de não saber (em cada um dos meus seis sentidos) o peso e as consequências de ter sido partida quando eu sequer tinha noção do q…

AINDA NÃO CHEGAMOS AO XEQUE-MATE

“Você não sabe ser o rei do xadrez do jogo nem de vez em quando... Às vezes você precisa deixar de se importar tanto, sendo uma das peças que mais luta no jogo e deixar alguém fazer isso por você”.
Lembro em alto e bom som a moça que me disse que eu não sabia ser cuidada, que eu me deixava de lado demais por me importar muito com os outros, ela me disse que pessoas assim são como peões, ficam à frente da situação e são os primeiros a receberem os golpes do adversário, são os primeiros a serem sacrificados, os primeiros a enfrentar a morte.
Ainda posso escutar com clareza o que a moça disse e o quanto eu neguei suas palavras dizendo que as coisas não eram assim e que eu não era essa pessoa que morre pelos outros. Ao ouvir minhas palavras no replay agora, elas soam tão vazias que nem eu mesma consigo me comprar.
Nesse jogo da vida eu sou sim mais um peão como tantos outros, estou muito longe de ser um rei e assistir enquanto lutam por mim, enquanto me tiram do campo de batalha ilesa ou re…

FRACTAIS DE MIM

Paredes em branco borradas de passado Cinzas sobressaindo dos cantos de cada cômodo Detalhes que camadas e camadas de tempo não apagam Rachaduras em minha pele que não sangram mais Mas que ainda são um lembrete do que o fogo é capaz
Mesmo que em tardes calmas desprovidas de luz solar Eu quase me sinta como se não estivesse em remendos Em algum lugar dentro dos meus olhos ainda mais obscuro Eu sei que não posso reviver minha altivez em secar meus olhos Como se nada pudesse me ferir As lágrimas bateram e quebraram essa parte de mim
Por mais que eu agora esteja sã e salva Eu sei que estou curada, mas não estou intacta Sou como um daqueles quadros de Salvador Dalí Um conjunto de relógios derretidos marcando tempos destintos Sou aquele encontro surreal de beleza e caos...

TIC-TOC

Quanto tempo é preciso para curar uma hemorragia interna?
Quantas batidas o ponteiro do relógio precisa dar até que uma saudade se torne trivial?
Quantas baterias vão ser trocadas antes que os ritmos batam em sincronia e as importâncias se equiparem?
Quanto de óleo vai cair das engrenagens até que elas estejam no ponto pra recomeçar a pulsar normalmente?
Quanto?
Quanto tempo?
Eu estou ficando cada vez mais com menos tempo...