AINDA NÃO CHEGAMOS AO XEQUE-MATE

“Você não sabe ser o rei do xadrez do jogo nem de vez em quando... Às vezes você precisa deixar de se importar tanto, sendo uma das peças que mais luta no jogo e deixar alguém fazer isso por você”.

Lembro em alto e bom som a moça que me disse que eu não sabia ser cuidada, que eu me deixava de lado demais por me importar muito com os outros, ela me disse que pessoas assim são como peões, ficam à frente da situação e são os primeiros a receberem os golpes do adversário, são os primeiros a serem sacrificados, os primeiros a enfrentar a morte.

Ainda posso escutar com clareza o que a moça disse e o quanto eu neguei suas palavras dizendo que as coisas não eram assim e que eu não era essa pessoa que morre pelos outros. Ao ouvir minhas palavras no replay agora, elas soam tão vazias que nem eu mesma consigo me comprar.

Nesse jogo da vida eu sou sim mais um peão como tantos outros, estou muito longe de ser um rei e assistir enquanto lutam por mim, enquanto me tiram do campo de batalha ilesa ou reparam minhas feridas e me protegem por acreditarem que sou valiosa.

Eu sou um peão sim, um peão cada vez mais consciente das batalhas que valem a pena serem lutadas. Vejo minhas cicatrizes de guerra e sei que elas foram necessárias cada uma no seu tempo. Elas foram necessárias para que meus pés pudessem atravessar o tabuleiro e resistir no campo inimigo.


Sinto a inconstância enquanto chego ao fim da linha adversária, prestes a me tornar outra peça, desconstruo minha armadura destruída para me vestir novamente com fôlego e novas habilidades de uma nova peça (o peão quando atravessa o campo do inimigo do jogo de xadrez pode escolher se tornar uma rainha, torre, bispo ou cavalo), posso ir em novas direções para outras batalhas dessa guerra, o fim da linha foi um recomeço não um xeque-mate...

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